é a penúltima linha da minha morada, enquanto aprendo matemática no MIT.

segunda-feira, maio 01, 2006

25 de abril

Em 74, o meu pai tinha a idade que eu tenho agora e estudava em lisboa.
Vivia numa residência de estudantes do técnico, e quando acordou a notícia já corria: o mfa fazia comunicados na rádio "Aqui posto de comando do movimento das forças armadas", e pediam à população que se mantivesse calma e recolhesse às residências.
Em vez disso, saíram para a rua, o rossio, a baixa, o terreiro do paço. Havia chaimites e militares com armas na mão, ali no meio da cidade.
Subiram para o carmo. Gente por todo o lado, em cima dos bancos, da fonte, das árvores. Os militares diziam que não, os pides não viriam. O salgueiro maia, uns tiros, a revolução, ali no meio da cidade.
Diz-me o meu pai, e só sabe quem lá esteve assim, que se lembra de ser difícil encontrar um sítio para almoçar naquele dia. De ter fome e acabar por comer uma sandes na praça da figueira. Em liberdade, ali no meio da cidade.
Tinha a idade que eu tenho agora, há 32 anos.

4 comentários:

pardal disse...

Que bem que sabe esta recordação. Obrigado Anite...e pai da Anita.

boleia disse...

houve realmente quem vivesse emocoes fortes... o feriado devia ser so para algumas geracoes!

Helena Romão disse...

Olha, e nunca tiveste uma certa nostalgia de ser mais velha para ter vivido esse dia dessa forma? Eu gosto da ideia de ser filha da Revolução, mas às vezes...

ana rita disse...

percebo-te perfeitamente helena.
às vezes.......

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