é a penúltima linha da minha morada, enquanto aprendo matemática no MIT.

sábado, outubro 24, 2009

sexta-feira, outubro 23, 2009

como foi

Primeiro foi a Susan Hockfield, presidente do MIT, depois o presidente da MIT energy initiative, e quando já achávamos que nunca mais acabaria a parada dos presidentes das outras coisas, lá vem ele, começa com a costumeira Harvard vs. MIT joke, mais umas piadas sobre as peculiaridades dos estudantes do MIT, incluindo qualquer coisa sobre a tabela periódica, ai que imbuído do espírito que ele está, é mesmo cá dos nossos, seguindo pelos elogios a estas extraordinary young people, blá blá blá, legacy, blá, intrepid few, blá, cortar a direito pelos grandes feitos, homens na lua e tal, innovation, discovery, seguimos pelas dificuldades dos dias de hoje, challenges, bankrupt families and businesses, wall street, main street, e depois o que é que vamos fazer, lá vem a parte sobre a energia, o vento e tal, o Massachusetts é o maior, mais um bocado, a energia é que é, e quando o interrompem aplausos ele diz "that deserves applause", e às vezes repete, "big round of applause", como quem lê uma indicação cénica que está entre parêntesis, mas ele nem está a ler nada, faz isto tudo de cor, temos homem, ali com a sua gravata cor de rosa e o pin da bandeira americana na lapela, olho para ele e parece-me que está a ficar com entradas, o cabelo mais ralo ali nos cantos, e depois, assim meio de repente, eu a olhar para a hairline do senhor, e ele "Thank you very much God bless you", e acabou, pronto, foi o quê, um quarto de hora, vinte minutos?, e começa uma marcha qualquer a tocar, parece, será, é que parece mesmo, é música do circo, por acaso até faz sentido se pensarmos nisso, e ele a dar apertos de mão, flashes, o auditório esvazia-se, pronto, acabou.

alvoroço

Está cá na escola o sô presidente. Por causa disso há muita gente na rua, muitos polícias, motas, carros e helicópteros, ruas com o trânsito cortado e sítios onde hoje não se pode estacionar a bicicleta. Com tanta gente a querer ir ver o Obama botar faladura, numa mistura entre Messias e superstar, só se pode ir ver por convite, mas em muitos outros auditórios da universidade, o discurso é passado em directo ecrãs gigantes. Eu estou num deles, para ver como é.

terça-feira, outubro 20, 2009

e esquilos, claro

E esquilos, claro, mas isso há aos magotes. Por exemplo, neste momento há três aos saltos ali no quintal.

os amigos do bambi



Nos últimos tempos vi um guaxinim, um texugo, e um daqueles esquilos pequeninos, chipmunk, diz a wikipedia que se chama tâmia. Tâmia? Whatever.
É que se houvesse alguma dúvida, aqui está a prova de que a Disney é uma companhia norte-americana. Se fosse portuguesa, o Bambi era um burrinho, e os amigos eram a galinha, o javali, e talvez com sorte o lince ibérico, vá.

rush

Comprar a viagem para casa é sempre assim, uma rush, não sei se de gastar tanto dinheiro ao mesmo tempo se de, oh céus, vou mesmo a Portugal!
Mas, se eu ainda contasse os dias que faltam para as viagens para um lado e para o outro, agora contava: mês e meio. Mês e meio! Quase nada, if you think about it.

domingo, setembro 27, 2009

a família, os amigos, e a tecnologia

Fui passar o fim-de-semana com amigos a Nova Iorque. Foi óptimo, pelos amigos e por Nova Iorque, o único senão é que nessa hora crítica das eleições eu andava a passear em Chinatown e quase a apanhar um autocarro de volta a Boston. Mas às três da tarde telefonaram-me do outro lado do mundo os meus pais a dar os resultados das sondagens à boca das urnas. Depois, um fellow-expat took over, com actualizações via SMS das percentagens e do número de deputados. E agora aqui, cinco horas de viagem de autocarro com o portátil no colo, os ouvidos na antena 1 e na tsf, os olhos no público e na sic, os dedos em conversa transatlântica, sou a única neste autocarro cheio de gente a pensar em governabilidade mas não faz mal, com a tecnologia estou em todo o lado, estou aí colada à televisão, só que o sócrates de vez em quando soluça o discurso, e a minha noite dura mais tempo, ainda agora são oito da noite, Boston ainda está longe,mas afinal, sabes, hoje também eu volto para casa.

sexta-feira, setembro 25, 2009

arXivada

Estou arXivada, e proud-happy-silly. O arXiv é um grande repositório de artigos científicos, onde se põem os papers para serem de acesso livre à comunidade, numa espécia de megalómana utopia científica. Muitos são depois também publicados em revistas, e assim sujeitos a peer-review, mas enquanto isso vai não vai, arXive-se.

terça-feira, setembro 15, 2009

pay it forward

Aqui em Boston, todos os anos há um churrasco no princípio do ano, organizado pela PAPS, para se juntarem os portugueses, particularmente os acabados de chegar. Há quem venha e quem vá, há com quem só falamos umas horas naquele dia e há amigos que se tornam quase família porque estamos todos longe. Depois de quatro anos, chegou a minha vez de pay it forward. O churrasco deste ano foi no meu backyard, tanta gente a falar português, tantos recém-chegados, deixa-me contar-te como é viver aqui, as crianças em algazarra bilingue, muito mais emigras que nós, os tremoços e a super bock que só impressionam quem cá está há uns anos, mas o sumol de laranja -- "eu nem bebia disto quando estava em Portugal" -- é a primeira coisa a desaparecer, e qual é a próxima actividade da PAPS, e quando nos vemos outra vez?

admirável mundo novo

A minha afilhada vai para a universidade. 18 anos. Era tão pequenina e agora cresceu tanto. Telefonou-me a dizer que a universidade é grande, e tem tanta gente, e o edificio é um bocado velho, e os quartos que foi ver para alugar também, e as ruas são sempre a subir, e e e. E eu, aqui, de nó na garganta, minha querida, é um privilégio tão grande para mim contares-me desse teu admirável mundo novo. Um beijo, linda.
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